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Validade externa em ATS: importância da aplicabilidade e papel do Medical Writer

Vista lateral do médico com estetoscópio trabalhando no laptop e escrevendo no papel
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Olá! Tudo bem por aí?

Na Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS), grande parte do esforço costuma se concentrar na análise da qualidade interna dos estudos, risco de viés, desenho metodológico, consistência entre perguntas e desfechos.

Mas existe outra dimensão, muitas vezes menos discutida e igualmente determinante: a validade externa.

Ela responde a uma pergunta essencial, sobretudo no contexto brasileiro:

Os resultados observados nos estudos realmente se aplicam ao SUS?

Nesta edição, discutimos por que essa análise é indispensável, como instituições internacionais tratam o tema e qual é o papel do Medical Writer especializado na tradução da evidência para a realidade assistencial.


O que está por trás da validade externa?

Validade externa diz respeito ao grau em que os achados de um estudo podem ser generalizados para outros contextos, populações e cenários de prática clínica.

No campo da ATS, isso é crucial porque:

  • critérios de elegibilidade frequentemente incluem perfis altamente selecionados;
  • os centros participantes podem ter infraestrutura distinta da maioria dos serviços brasileiros;
  • a prevalência de comorbidades e a complexidade assistencial do SUS raramente refletem o ambiente dos ensaios clínicos.

Ou seja: um medicamento pode demonstrar excelente eficácia em estudos controlados, mas desempenho diferente na prática, não por falha da tecnologia, mas pelas diferenças entre quem foi estudado e quem será tratado.

Instituições como NICE, CADTH e EMA reforçam que eficácia e efetividade são conceitos complementares, mas não equivalentes.


Como avaliar aplicabilidade na prática?

A literatura internacional propõe dimensões estruturadas de análise, entre elas:

• População-alvo

O perfil dos pacientes estudados corresponde ao epidemiológico do SUS? Há diferenças relevantes em idade, estágio da doença, biomarcadores, comorbidades ou linha de tratamento?

• Comparadores

Os comparadores utilizados refletem o padrão de cuidado disponível no país?

• Centros e condições de tratamento

Os estudos incluíram centros de alta complexidade, com recursos superiores aos serviços de média complexidade da rede? Diferenças nessa variável influenciam adesão, seguimento e desfechos clínicos.

• Desfechos mensurados

Os desfechos são relevantes para o sistema de saúde brasileiro? Determinados desfechos  possuem diferentes pesos  em a depender do contexto clínico, econômico, cultural e ético.

Essas dimensões fazem parte de estruturas recomendadas por ISPOR, GRADE e pelas Diretrizes Metodológicas da REBRATS.


Quando a evidência não conversa com a realidade

Mesmo quando rigorosos, muitos ensaios clínicos são conduzidos fora do Brasil e refletem contextos assistenciais distintos do SUS. Ainda que multicêntricos e acompanhados por análises de subgrupos, eles nem sempre capturam nuances epidemiológicas, estruturais e socioeconômicas brasileiras.

Nesses casos, a interpretação exige cautela adicional:

  • infraestrutura distinta;
  • diferenças no padrão de cuidado;
  • variabilidade de comorbidades;
  • adesão ao tratamento influenciada por fatores operacionais.

É aqui que fontes complementares de evidência ganham relevância.

Dados de mundo real (RWE), registros institucionais, bases administrativas e a farmacovigilância da Anvisa ajudam a monitorar segurança, desempenho e uso da tecnologia após a incorporação.

Integrar essas evidências não substitui os ensaios clínicos, mas amplia a compreensão da aplicabilidade no contexto brasileiro e orienta ajustes necessários ao longo do ciclo de vida da tecnologia.


O papel do Medical Writer na análise de validade externa

Aqui reside o diferencial metodológico:

O Medical Writer especializado não apenas sintetiza a literatura, mas interpreta a aplicabilidade da evidência.

Suas contribuições incluem:

• Análise crítica estruturada

Comparação entre população estudada, comparadores utilizados e cenário assistencial nacional.

• Identificação de limites de generalização

Quais achados podem ser extrapolados? Quais exigem cautela? Quais subgrupos devem ser destacados?

• Construção de narrativas técnicas contextualizadas

Tradução dos resultados para o contexto brasileiro, descrevendo:

  • impacto clínico potencial;
  • adequação dos comparadores;
  • relevância dos desfechos;
  • plausibilidade da efetividade no SUS.

• Integração com RWE, quando aplicável

Dados observacionais complementam lacunas quando o perfil dos estudos não é representativo.

Esse processo reduz incertezas, fortalece o racional científico e qualifica a decisão.


Por que isso importa nas submissões à Conitec?

As diretrizes brasileiras exigem que a aplicabilidade seja discutida nos dossiês, especialmente quando:

  • há heterogeneidade entre os estudos;
  • o padrão de cuidado nacional difere do estudado;
  • a tecnologia é direcionada a populações complexas ou pouco representadas.

Sem essa contextualização, a avaliação fica incompleta e o processo decisório, fragilizado.


Aplicabilidade é parte central da ciência

Validade externa é essencial para garantir que as decisões em ATS sejam:

  • transparentes,
  • alinhadas ao contexto assistencial do país,
  • coerentes com a prática clínica real,
  • sustentadas pela melhor evidência disponível.

E é exatamente nesse ponto que o trabalho do Medical Writer especializado se torna indispensável: transformar dados em análises contextuais claras, rigorosas e relevantes para o processo regulatório.

Se sua empresa precisa fortalecer a interpretação da aplicabilidade de estudos clínicos ou estruturar análises de evidência para submissões de reembolso , a Lemos Health pode apoiar esse processo com rigor técnico e visão estratégica.

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Até a próxima edição,

Mayra Lemos

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